A professora Maria Sacramento do Nascimento Lacerda foi a primeira mestra do distrito do COITÉ, contrata pela Prefeitura Municipal Mauriti. Estudou no Colégio Santa Tereza em Crato, onde concluiu o Curso Normal, em face da amizade que tinha com o Padre Lacerda, figura influente que abriu as portas da educação para amiga, a quem dispensava muita consideração. Segundo Dr. Leite Maranhão: “Padre Lacerda fora um espírito irrequieto e vontadoso. Talento brilhante era orador fluente de largos recursos e lampejo fulgurantes.
Foi vigário de Santa Quitéria e Solonópoles, residiu muitos anos em Senador Pompeu. Voltando a residir no Coité, dedicou-se a advocacia-crime”.
Habilitada para ensinar até o curso ginasial, mesmo assim, a professora Sacramento fez a opção para ficar na sua comunidade e próxima à família no Coité, alfabetizando e ensinando as primeiras leituras. Contrata pela prefeitura de Mauriti, em 1930, na gestão de Teodorico de Sousa Leite, aposentou-se em1966,na administração de Dr. Fernandes Teles Cartaxo, momento em que as Escolas Isoladas começaram a ser substituídas pelas Escolas Reunidas; a Escola Isolada do distrito, funcionava em sua própria casa, ao lado da igreja de Nossa Senhora da Conceição, padroeira do Coité.Consagrou-se como uma liderançana comunidade coiteense, era reconhecida pela sociedade distrital, como pessoa muito zelosaquese doava na organização das festividades religiosase na dedicação aos seus alunos.
O Coité teve, ainda, as professoras: dona Sinhá Moreira, segundo a professora Maria Lírio, essa foi a primeiras professoras da localidade, amiga de Padre Maranhão e contrata por ele para ensinar as primeiras letras as crianças do Coité. Padre Maranhão, depois de servir como vigário nas cidades de Milagres e Brejo Santo, se recolheu a sua terra natal, “ao Solar de São Gonçalo, em Coité, onde construiu uma capelinha dedicada a São Luís de Gonzaga” (Famílias do Coite, Leite Maranhão). ali faleceu em 1935;outra mestra que atendeu ao Coité foi Alice Leite, paraibana, casada com um mauritiense, durante um bom tempo ensinou as primeiras letras as crianças do distrito;dona Alice como era conhecida, deixou Mauriti para residir no Crato, onde terminou seus dias de vida.
A professora Sacramento era acolhedora, com os seus, com os alunos e com as pessoas que vindas da Paraíba ou de outras localidades do município pernoitavam no Coité para cedinho se dirigirem ao Juazeiro do meu Padrinho; essas pessoas se abrigavam no frondoso cajueiro em frente à casa da professora, ela os acolhia, oferecia lanche e café, até mesmo agasalho aos mais descuidados. Esse apoio tinha um nome: o cajueiro de Sacramento.


PROFa..MARIA STERLINA RODRIGUES PROFa. MARIA CARMELITA SAMPAIO
A professora Sacramento além de ensinar as primeiras leituras a suas alunas, encaminhou algumas ao magistério: Maria Stelina Rodrigues, professora primária no Coité (1955-1983), afastada da escola como inativa pelo prefeito Newton Sobral, (1971-1972), como não conseguiu resgatar seu tempo de serviço, como professora municipal, no arquivo público da prefeitura,para se aposentar, enfrentou os percalços da burocracia e o fez como agricultora, atividade que complementava a rena da família; outra ex-aluna de Sacramento que se dedicou ao magistério Maria Carmelita Sampaio Lucena, professora no Sítio Macela, depois no Sítio Sipaúba, onde residia seu genitor, Pedro Sampaio de Lacerda; a escola funcionava na casa da professora com todas as limitações de uma escola isolada. Essas mestras eram funcionárias municipal, enfrentando muitas dificuldades: atraso no pagamento, falta de material escolar e ainda se submetiam aos vieses políticos a cada mudança de gestão municipal.
Maria Sacramento do Nascimento Lacerda enfrentava as dificuldades com galhardia, superava o mandonismo do Coité, com o fraterno tratamento que dedicava aos seus alunos, com a capacidade de liderar e com a elegância que lhe era peculiar.

FRANCISCO CARTAXO MELO
Professor da UECE aposentado Economista/analista de Planajemento
Seplag/Iplance aposentado Consultor organizacional FLACSO (Faculdade
Latino Americana Ciências Sociais)