Em 1979 o PT lançava sua primeira carta compromisso, estimulaa permanente renovação político-partidária, a democracia interna, assegura direitos e deveres idênticos para o filiado; no ESTATUTO DO PARTIDO (1982).
ratifica o rigor de sua disciplina partidária e dos princípios éticos. No artigo quatorze de seu estatuto, item VI – “votar nos candidatos e nas candidatas indicados e participar das campanhas aprovadas nas instâncias partidárias”. Mas, como dizia Ovidio “TEMPUS EDAX RERUM – OTEMPO, O CONSUMIDOR IMPLACÁVEL DAS COISAS”.No decorrer dos últimos anos alterações na legislação eleitoral implicou em liberalidades que os documentos partidários não assimilaram, mesmo assim alguns da direção partidária absorveu estas alterações como facilitadoras das coligações política;éo que está ocorrendo no início da campanha de 2022, em Mauriti, vereadores petistas apoiando candidatos de outras agremiações, a partir de ajustes que no fundo são alimentados por promessas e pela presença de recursos oriundos dos fundos partidário e eleitoral.

As últimas mudanças nas regras eleitorais deram o álibi: fim das coligações proporcionais para vereadores e deputados, financiamento público das campanhas, entre outras alterações, não obstante, não tenha alterado as normas de fidelidade e disciplina partidárias,doutrinárias e programáticas,bem como às diretrizes estabelecidas pelos órgãos de direção do partido, nos termos de seu estatuto. As normas de fidelidade e disciplina partidárias são governadas pelo conteúdo ideológico que cada militante partidário absorve, pelo amadurecimento das práticas democráticas que o partido desenvolve e repassa para a militância; todavia, são conteúdos que a ganância eleitoreira está triturando, o poder pelo poder está destruindo; a estrutura partidária vai se esgarçando e ficando permeável aos encantos do poder pelo poder.
Parte dos que comandam o PT de Mauriti está trilhando o caminho que olvida regras, fidelidade e disciplina partidárias,através de arranjospolíticos, coligações proporcionais que sinalizam com futuros agrados e bons patrocínios eleitorais; fatores que contribuem para a desobediência às normas doutrinárias e programáticas, bem como às diretrizes estabelecidas nos termos do estatuto do partido. Isso é o que a ciência política chama de relativismo moral e declínio da teoria do valor criativo, seja “a complacência moral e abstinência de avaliação”, levam ao abandono inconsciente de compromissos.Aindisciplina partidária, pelo exemplo, nada edificante, das suas lideranças é um convite para a militância confrontar líderes e tornar letra morta normas que disciplinam a conduta do partido.
Para Alexis de Tocqueville“Quando o passado não ilumina o futuro, o espírito vive em trevas,” não só os homens, em particular, mas os partidos, sobretudo, deveriam escutar o pensador político e estadista francês, para que em futuro próximo não mergulhem nas trevas.

Mário Thomás
Articulista do Espaço Buriti