FLORBELA ESPANCA
POETA PORTUGUESA
Minh ’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer a razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!…”
“Nascida no dia 8 de dezembro de 1894, Florbela da Alma da Conceição nasceu em Vila Viçosa (Alentejo) e veio a se tornar uma das maiores poetisas da literatura portuguesa, tendo sido especialmente celebrada pelos seus sonetos. Feminista, se divorciou do marido Alberto em 1921 e foi viver com um oficial de artilharia (Antônio Guimarães). Se separou novamente e se casou em 1925 com o médico Mário Laje.Morreu prematuramente ao se suicidar usando barbitúricos, no dia em que completaria 36 anos (8 de dezembro de 1930).
“O cantor cearense Raimundo Fagner soube trabalhar essa premissa de modo peculiar e deu vida nova ao poema Fanatismo, mais de 50 anos após a morte de sua autora, a poeta portuguesa Florbela Espanca”.